Visão sábia é a visão da floresta

Os pontos altos sempre tiveram imenso valor estratégico na história da humanidade.

 

O cume das montanhas sempre foi o lugar de excelência para assegurar a capacidade de visão clara, que informa a nossa acção.

 

Vale sempre o tempo de recordar este instinto natural e o seu valioso contributo, em ajudar-nos a observar a complexidade dos nossos desafios planetários.

 

Ocupar o lugar de Floresta.

 

Trago esta metáfora num contexto em que sinto que este instinto de ampliar visão está ainda em desuso e, se restituído aos nossos hábitos comuns, poderia beneficiar-nos a todos. Beneficiar-nos-ia com a visão abrangente que une movimentos dispersos, empenhados em causas aparentemente desconectadas. No entanto são causas que, bem no centro, remetem-nos para a mesma necessidade comum - elevar-nos para uma melhor versão deste mundo.

 

Recentemente ouvi uma notícia em defesa dos professores, com os argumentos sobre a necessidade de honrar o papel dos professores, que “são tão indispensáveis e preciosos no crescimento dos nossos filhos, que deveriam ser tratados com um profundo respeito e gratidão". De imediato surgiram-me os pensamento que partilho agora neste post.

 

Mas isto de 'respeito e gratidão' não é o modo como todos os seres humanos deveriam ser tratados?!

"Os professores às vezes tem de aturar pais de uma insolência e má educação ..." - continua o entrevistado, identificando outro comportamento que nenhum outro ser humano deveria ter de suportar.

 

Pedir respeito e humanidade, transcende qualquer tipo de função. Desconexão humana, falta de compaixão e respeito existe, infelizmente, um pouco por todo o lado.

 

Não há nada de errado nesta acção mais focada. Sinto somente que beneficiavamos em conseguir falar mais a uma só voz.

Expressões semelhantes a esta defesa dos professores proliferam por várias associações de defesa de profissões. Mas será este ponto o melhor ponto inicial para iniciar mudanças que tragam impactos significativos, ao nível do respeito e dignidade humana?

O que poderia resultar da capacidade de encontro destas vozes dispersas?

 

Com estes pensamentos em mente, salto para a minha preferência pela visão de floresta e como ela é tão útil em ligar as diferentes causas a partir de um ponto mais alto.

 

Todas estas diferentes causas vejo-as como árvores, a expressar necessidades, num modo desconectado da dimensão de floresta. 'Árvores-humanas' a agir a partir da sua dimensão Função. Uma dimensão extremamente presente na definição do que é ser-se membro de um colectivo. Quantos de nós face à pergunta 'quem és?', respondem com a profissão?

 

Não se trata de condenar este movimentos, somente trago o desabafo de sentir uma espécie de desperdício quando vejo energia e dedicação centrada em causas-profissionais, que no fundo se revelam tratarem-se de causas de todos os seres-humanos.

 

Quando operamos a partir de um lugar alto, conseguimos unir diferenças e este movimento concentra energia e engenho.

O que seria possível realizar se este unir se revela-se num aumento de massa crítica e de capacidade para gerar mudanças mais significativas e abrangentes?

 

Testar esta hipótese pede que ousemos restaurar práticas que desenvolvem a visão que une. Restaurar o equilíbrio entre o instinto de separação, profundamente enraizado em nós, e o instinto de união, que caiu em desuso.

Refiro-me a práticas que convidam a abrandar para ganhar a visão que inspire acção mais coesa, guiada por  princípios comuns, para além de quaisquer graus de importância e próximo do que é comum.

Na ausência destas práticas e mantendo-se esta dispersão de atenção e recursos, vejo como muito mais difícil a construção da tão desejada melhor versão deste mundo.

 

Clamo por um movimento, de responsabilidade individual, em reocupar o lugar de consciência de uma floresta. Para que de facto cada acção individual, independentemente do contexto, seja acção criativa para o sonho de um mundo onde ninguém fica de fora ou é desrespeitado.

"The invariable mark of wisdom is to see the miraculous in the common"

 

Ralph Waldo Emerson

Digo, com elevado grau de confiança, que é a partir do lugar não hierárquico da floresta, sem graus de importância, que percebemos os elementos partilhados escondidos por trás da defesa dos interesses de cada grupo de 'árvores'. No fundo, no fundo, são elementos simples e profundamente humanos!

 

Visão sábia é a visão da Floresta!

 

 

Como desenvolver visão de floresta?

  • Visão e pensamento sistémico

  • Práticas de atenção plena

  • Modelos e Linguagens para uso da relação mente-corpo

 

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